De Portugal com Muito Amor Essa é a mais recente das minhas histórias com animais, como protetora que sou, idealizadora do Amor Vira-Lata, já vivi muitas coisas que me fazem amar os animais cada dia mais. Tive a oportunidade de fazer um intercâmbio e, na procura de quartos para alugar em residências universitárias ou casa de família, meu critério era onde tivesse animais, não sei viver longe deles. Acabei encontrando um quarto e por ter uma cachorrinha, não me importei com mais nada, se existiam animais, eu estava feliz. Cheguei nesta casa, e, aparentemente, as coisas não corriam muito bem, existia um sofá comido, necessidades por toda a casa, fios comidos e muitas reclamações em função de uma criatura, que só era incrível para mim. Logo na chegada, ela me ajudou a desfazer as malas, cada vez que eu virava para colocar no armário, ela saia correndo pela casa com alguma outra peça de roupa, foi a mala mais divertida de desfazer! O Marley era um anjo perto dela... Permaneci ali pouco tempo e fui viajar... quando retornei, a cena era: todos os quartos fechados e a cachorra destruindo algo em algum lugar isolado. Bom, o meu quarto era o único com portas sempre abertas para ela entrar... e aos poucos as pessoas foram comentando que ela estava diferente... talvez porque estava recebendo um mínimo de amor e carinho?! Ela começou a dormir toda a noite comigo, tomar banho de sol de manhã na minha cama, começou a ter uma vida de uma cachorra mais ou menos "normal", mais ou menos, porque ela vivia em uma residência universitária, eu não via problema em ela subir no sofá, mas, muitos viam, não via problema de ela roubar comida, ninguém mandou deixar a comida em um fácil acesso... essas diferenças na educação dela, a deixavam confusa E como se não bastasse a confusão da cachorra, existia a perturbação mental de alguns moradores que achavam natural espancar a cachorra “para educar”, aí a coisa tomou outro rumo.... Não exijo que ninguém ame como eu amo, exijo pura e unicamente respeito! Diante disso, conversei com o dono dela, e, como assim que cheguei em Portugal havia feito contato com uma associação de proteção animal, pessoas que possuíam sintonia com as minhas percepções, decidimos que ela ficaria conosco, mas seria divulgada para doação. Foi divulgada durante quase 5 meses e nunca recebeu nenhum telefonema, as adoções não estão indo bem em Portugal em função da crise econômica... que,infelizmente, chegou por aqui também. Houve da minha parte uma grande saturação e intolerância ao desrespeito animal, tive uma discussão com alguns moradores e, após esses acontecimentos com a cachorra, ficou insustentável para mim a permanência naquele lugar. E então o problema: o que eu faço com ela?!? Ela ouvia a minha voz chegando e enlouquecia, me olhava da janela, quando eu estava com saudade, ela sempre deu um jeito de me fazer mais feliz, ela nunca me abandonou, o que eu poderia fazer? Nenhum adotante, sem possibilidade de estar na associação, sem possibilidade de ir para outra residência universitária comigo porque proíbem animais... A relação estava cada dia mais insustentável... até que decidi adotar a Simbaba! Não poderia permanecer em Portugal com ela, então, a levei para o Brasil, se ela nunca me abandonou, eu não vou abandoná-la! A decisão foi tomada e tinha 5 dias para fazer tudo até embarcar com ela. A passagem foi comprada e não tinha idéia da burocracia que enfrentaria... Tive de ir a mil lugares com ela: exames, chip, vacinas, certificados e mais certificados, boletos e mais boletos, até ela obter um passaporte para viajar comigo! 24h para o vôo, caixa de transporte ok, passaporte ok, sedação para o vôo ok, e a Cia aérea não libera o embarque do animal! Movi céus e terra, rezei muito e ok, consegui liberação para a Cia internacional, mas precisava voar no trecho interno e nada liberado, fui fazer o nosso check in, já em São Paulo, depois de ter passado por pelo paredão burocrático, agora brasileiro, depois de muita conversa, ok, chegaremos em Porto Alegre! Nem acreditava! Chegamos em Caxias 5h da manhã, eu morrendo de medo, que o meu cão, de temperamento forte, por assim dizer, fosse brigar com ela.... mas para minha alegria e compensação por tudo que já havia aguentado.... eles se deram super bem! Foi um fenômeno! Parecia que os dois sabiam que precisavam se dar bem! Hoje, voltei para Portugal, e não paro de pensar nela, mas hoje tenho a certeza que esta bem-cuidada e sendo muito amada, hoje ela vive com amigas minhas protetoras, a quem também sou muito grata pelo apoio. Agora, que vou terminando essas linhas, reli a história e pareceu tão simples e acho que será assim sempre.... Só eu e minha amiga portuguesa, a cachorrinha vira-lata que ninguém quis, saberemos o que nos uniu e quanto nos amamos! Ela confiou em mim, porque me amava e eu jamais a decepcionaria! Aos que leram o meu relato, e ainda tenham espaço para um amigo fiel ao seu lado, adote um animal! Não compre, não perca a oportunidade de ajudar! Depoimento de Celina Bianco |